Sua única certeza é que queria ensinar. Não sabia bem ao certo por que; não era das mais inteligentes, nem tinha grandes lições de vida ou de nada, mas queria ensinar. Amanda, no entanto, era tímida. Sentava-se sempre no fundo da sala e escondia seu rosto magro por trás de seus óculos grossos, era melhor assim. Era melhor não ser vista. Mas ela queria ensinar.
Pensou então em acabar com sua timidez, acostumando-se a apresentar trabalhos em sala. Preparou-se; decorou o assunto, ensaiou ao espelho, testou com seus irmãos e então, sentiu-se pronta.
Ao ser chamada, Amanda caminhou calmamente até a frente da sala, ajustou seus óculos com as mãos tremulas e respirou. Deparou-se então com seu pior pesadelo; a atenção e, não conseguiu mais ouvir suas palavras, seus pensamentos e nem o professor que a mandava iniciar.
“Os olhos fazem tapar os ouvidos, os olhos fazem tapar os ouvidos, os olhos fazem tapar...” e como se não houvesse nada entre seu pensamento e sua língua ela gritou: OS OUVIDOS e correu. Correu até finalmente conseguir ouvir; seus passos eram histéricos no corredor vazio. Correu até deixar de ouvir os risos que vinham da sala.
Os anos passaram. Amanda trocou seus óculos por lentes e sua timidez pela sala de aula. Ensinava, todos os dias, em uma escola para cegos. Amanda era feliz.