Sábado, 4 de Julho de 2009

Me despeço dessa história

Fui pega desprevenida, despreparada para essa falta. Pensei que dessa vez não viria. Será que devo me vangloriar pela demora ou me sentir patética por sentir só? Sentir só...Acho que já deveria ter me acostumado a isso quando falo de ti. Eu sempre fui a mais fraca. De ti não espero esses sentimentos ou qualquer outros, te conheço bem demais.
Mas meu deslize não anula os seus erros, só aumenta os meus. Tu sempre disse que eu nunca aprendo.
Talvez eu não queira aprender; não quero ser fria como tu, por mais que seja mais fácil assim.
Entendo agora que não se pode simplesmente apagar uma parte da vida por conta de um erro. Tá, não UM exatamente; outro. Mas o que quero dizer é que apesar dos pesares eu não posso ignorar os bons momentos, que foram, definitivamente, bem mais de UM; milhares!
Talvez ainda te deteste pelo que tu fez, mas não deixo de amar quem tu foi pra mim. Aquela pessoa das fotos, das lembranças; essa eu não posso detestar. Seria uma mentira.
Melhor te separar: o que tu foi de quem tu é. 
A primeira eu vou amar pra sempre e obrigada por tudo. Acho que estou em um daqueles momentos "álbum de memória" e folheando vejo os sorrisos, as quedas que levei na tua frente e que te fiz levar, as corridas ("batendo o recorde na rua grande"), as quedas que levei na tua frente e as que te fiz levar, os vômitos escondidos, as lágrimas que tu enxugou, as que gerou, as que eu te ajudei a chorar, as conversas intermináveis que deixavam todos perplexos, os abraços, os banhos de chuva, os conselhos...
A segunda 'tu', espero um dia parar de detestar, na verdade, talvez isso esteja acontecendo exatamente agora; aquela passagem de algum sentimento para uma indiferença.
Então antes que essa chegue, te desejo uma ótima vida, com momentos ainda melhores do que os que vivemos e um ombro amigo mais confortável que o meu.
Te desejo essas coisas mesmo te detestando agora, porque tu sabe, eu nunca aprendo...
Pronto, agora estamos livres.

Assinado Eu

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

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"...Mas explicar um inexplicável mal-estar que muda de aspecto como as nuvens e que se move em turbilhão como o vento? Faltavam-lhe palavras e coragem" 
Assim que li essa frase em Madame Bovary, anotei-a para poupar minhas palavras confusas e sem muito nexo sobre essa tal angustia. Flaubert me poupou o trabalho.
Eu corro bastante e acabo sempre voltando para o mesmo lugar patético, e o engraçado é que critico pessoas que correm para ele, mas indiretamente é isso que faço, ou melhor; minhas pernas traiçoeiras. Talvez seja culpa de quem me ensinou a andar. Talvez correr não seja a solução.

Te valorizo - Tiê

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

tudo que eu queria

Eu queria ler mais livros, ser mais sociável, estudar mais, falar outras línguas, ir a mais shows, fazer outros cursos, ser artista, viajar o mundo inteiro, dançar ballet, viver num lugar verde, bem verde. Queria não ter tantos medos, tantas frustrações ou arrependimentos, queria ter feito as coisas que eu queria e não que me pediram pra fazer, ser mais aventureira, queria falar mais o que eu penso, dar um soco na cara de alguém, especialmente do meu irmão. Queria perdão e ser perdoada, salvar o mundo, queria salvar alguém. Ser boa, me tornar boa, fazer algo bom. Ser magra, ser rica, ser hippie, ser livre. Queria que só existissem coisas boas, queria que as pessoas que eu amo ficassem bem e não morressem nunca, queria que elas me perdoassem pela minha chatice. Queria ser médica, geóloga, antropóloga, advogada, jornalista, professora de literatura. Queria rir mais, dizer mais ''eu te amo'' pros que eu amo, queria saber viver.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Ah se eu fosse jornalista!

Que política e jornalismo têm uma inimizade antiga é fato. Seja na época da ditadura, ou agora, de forma sutil, porém ainda perceptível. Esse, é claro, não foi citado como motivo para o STF ter derrubado a exigência de diplomas em jornalismo, mas os argumentos dados não deixaram de ser uma afronta aos profissionais do ramo.

“A profissão não depende de um conhecimento técnico específico. A profissão de jornalista é desprovida de técnicas. É uma profissão intelectual ligada ao ramo do conhecimento humano, ligado ao domínio da linguagem, procedimentos vastos do campo do conhecimento humano, como o compromisso com a informação, a curiosidade. A obtenção dessas medidas não ocorre nos bancos de uma faculdade de jornalismo."

Desprovida de técnicas? E como se alcança domínio da linguagem e tantas outras coisas ai citadas? 
Como NÃO se obtêm essas medidas na faculdade de jornalismo? Conhecimentos assim se obtêm em vários locais, é fato, mas se deve ressaltar que no âmbito universitário é que nós desenvolvemos mais nossas capacidades intelectuais, e jornalismo é um curso voltado exatamente para isso!  

“Mais do que indesejável, a exigência do diploma para jornalistas é impraticável. Como se proibirá o exercício da disseminação da informação pela internet?”

Indesejável para quem? Impraticável? Ora, até ontem era perfeitamente praticável! E eu não chamaria a disseminação de informação na internet de jornalismo...
Temos sites e blogs que nos dão informações, mas nós mesmos as consideramos inconfiáveis, o que mostra que o diploma é sim desejável, pois queremos beber das fontes jornalísticas!

"Não se pode fechar os olhos para o fato de que jornalismo é uma atividade multidisciplinar e que muitas notícias e artigos são prejudicados porque são produzidos apenas por um jornalista especialista em ser jornalista, sendo que em muitos casos essa informação poderia ter sido produzida por um jornalista com outras formações, com formação específica em medicina, em botânica, com grande formação acadêmica, mas que não pode exercer o jornalismo porque não tem diploma. Não se pode desprezar esse contexto"

E um jornalista especialista em ser jornalista busca o maior domínio possível de um assunto na hora de escrever. Ele é ensinado a pesquisar; não pode escrever informações baseadas em senso comum e jogadas ao léo. Embora muitas vezes isso ocorra, são os ossos do oficio, sempre teremos maus profissionais em todas as áreas. O leitor corre risco de ser mal informado, justamente, quando lê algo de alguém que não é profissional em fazer matérias jornalísticas! 

Mendes chegou inclusive a comparar jornalistas com cozinheiros. Parece-me que o ministro ignora o fato de que uma faculdade serve justamente para se aprofundar e aperfeiçoar em algo, para que esse seja exercido com excelência.
O próprio Direito não é uma ciência (ao meu ver), mas deve ser estudado como tal para não perder a credibilidade. E o jornalismo perderá sim a credibilidade nessas condições.

“Mendes disse que o diploma para a profissão de jornalista não garante que não haverá danos irreparáveis ou prejudicar direitos alheios”

Haverá danos irreparáveis ao povo brasileiro, que corre o risco de ser (ainda mais) mal informado!
Espera-se pelo menos, que os jornalistas diplomados, embora com o mercado de trabalho ainda mais concorrido, sejam valorizados por seu diferencial; por serem profissionais!

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

O cheiro é seu

- Aqui cheira a merda.
- É do ralo.
- Não. Não é não.
- Claro que é. O cheiro vem do ralo - Levanto e caminho até o banheirinho - Olha lá, o cheiro vem do ralinho.
Ele ri coçando a barba.
- Quem usa esse banheiro?
- Eu.
- Quem mais?
- Só eu.
- E então, de onde vem o cheiro?


Esse (ótimo) filme não é novidade para mim; já havia feito críticas mentais à respeito da sua mensagem principal, porém infelizmente estas foram esquecidas.
Então comecei a sentir um fedor. Tentei arranjar culpas e desculpas, até alguém me dar um soco no estômago dizendo "o cheiro é teu!". 
Minha primeira reação foi ficar enfurecida - ora, quem não ficaria? - Depois recorri a minha velha amiga auto-crítica que tinha saído para viajar há algum tempo. O resultado não foi outro: o cheiro É meu! 
Pensei em escrever a frase no passado, "o cheiro era meu", mas quem sabe isso seria somente outra forma de abaná-lo para longe; o que eu preciso mesmo é de um banho!
Enfim, deixando as analogias de lado, o fato é que as pessoas não conseguem aceitar que possuem coisas feias, seu lado monstro. Dói se enxergar de uma forma que você nunca havia (e nem queria) é bem chato saber que, no fundo, você tem algo que sempre criticou e é ainda mais triste pensar que esse tempo todo você só estava (se) escondendo dos outros e de si.
Mas nada melhor para mudar algo ou alguém do que uma reflexão, não uma simples, mas uma bem carregada de auto-crítica! 
Decidi que não quero feder. Possuir um lado monstro não quer dizer aceitá-lo e agora que o reconheci, tenho a capacidade de decidir mudar.
Mas lembrem-se do primeiro passo: O CHEIRO É SEU!

Não culpe a bebida, o stress, a morte da tia avó, não diga que foi forçado, que foi criado assim. 
O ralo é seu! E então de quem é o cheiro?

"La vida es dura!"

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Corre dor!

Corre a dor no hospital; doentes sujos, largados, morrendo
Correndo vem a família do paciente; tentou suicídio pela quarta vez
Atravessando a rua, a velha foi atropelada e de nada adiantou a maca do dotô
“Sua vez”, gritou a moça de branco com varizes verdes para o doente verde com dor de estomago
Um tombo rasgou-lhe a testa e foi direto pra sutura
Câncer? Vá morrer em casa. E Diabetes não tem cura
Gente pregando, gente pregada e haja gritaria
Outra grave: grávida pela décima vez! Haja gravidez!

No corredor do hospital a dor corre e o pobre, morre.

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Há tempos não me divertia escrevendo assim, mesmo sem padrão e pobremente.

Sobre heróis, vilões e Homens

Sabe, nunca fui muito fã de heróis. Eles são tão entediantes, sempre com aquelas personalidades lineares e insossas. Para um herói é fácil ser bom, ele já nasce assim e não conhece outra forma de ser, é incapaz, na verdade. Não vejo nada de heróico nisso. Nós sabemos que ninguém é assim de fato, todo bom, então fica extremamente falso e irritante ver uma personagem assim no centro de uma história; alguém tão longe do que nós podemos ser. Paradoxalmente, ai consiste a graça dos heróis para alguns; eles representam uma espécie de modelo a ser seguido – mas já ouvi falar por ai que faz mal, muito mal esconder totalmente o seu lado monstro, acho que isso teria conseqüências desastrosas fora da tela, dos livros ou dos quadrinhos.

Então virei fã dos vilões, estes sim são interessantes, adoro personalidades obscuras e pessoas imprevisíveis. Eles nos fazem querer analisar o que os tornou assim, então são bem mais humanos que os heróis, pois são movidos por causas, como nós. Mas o mais divertido é que eles sempre têm um ponto fraco que mostra que não são completamente maus.

Cresci e conheci vilões que não moram em histórias e sim aqui na minha cidade. Uns freqüentam os mesmos bares que eu, outros tem o meu mesmo sobrenome e assim por diante. Analisei-os e comecei então a antipatizar com vilões também. O passado importa bastante, mas o sujeito é responsável por suas ações e escolhas, então, definitivamente parei de admirar quem havia escolhido simplesmente ser mau. Não digo que os odeio, mas se não o faço é somente pela existência daquele ponto fraco que me faz não esquecer do caráter humano; frágil e confuso deles.

Hoje em dia opto pelas personagens mais reais que são boas e más, felizes e tristes, às vezes até bobas e confusas, muito confusas. Personagens assim não nascem boas, elas optam por ser – tem coisa mais heróica que isso? Comecei então a adorar romances e filmes que falam, aparentemente, sobre nada, mas um nada tão cheio de espaço para análises e interpretações, tão parecido com a vida real que me encanta. Fugir da realidade pode ser divertido algumas vezes, mas não é tão útil quanto analisá-la.

Nós não precisamos ser bons ou maus, simplesmente. Não precisamos nos espelhar em coisas que jamais poderemos ser, isso só causa frustrações. Somos humanos e temos que começar a nos admirar só por este motivo; porque mesmo sendo criaturas instáveis e nada perfeitas, ainda assim conseguimos ser bons.

 

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Texto chato e irrelevante, eu sei, mas como não tenho escrito nada, posto esse “antigo”.  

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Le Tourbillon De La Vie

Ele negou-lhe o beijo, então Virginia o substituiu pelo cigarro.
Hábito que Carlos detestava, mas o que importava agora? A sentença estava no passado, afinal.
Ele machucava depois do trago, pois os lábios estavam secos. O cigarro, não Carlos, este era sim o motivo de seus lábios secos!
Virginia morreu alguns anos depois; alguns dizem que foi de amor, outros que foi câncer no pulmão.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

distância

Joana queria dar passinhos, mas era como se suas pernas estivessem amarradas.
Desejou então ser leve para que o vento a levasse ou criar asas de anjo para que voasse ela mesma.
Mas não ventou, estava bem quente aquele dia e ela continuou ali, exatamente como estava, sentada no banco feio de cimento.
Ela tirou os óculos e a vista ficou embaçada; não conseguia enxergar direito de longe. Era por isso que sempre andava com eles; não só por ter medo de tropeçar em coisas ou por não conseguir ler direito sem seus óculos, mas por assim conseguir enxergar um pouco melhor João, que estava sempre tão longe.

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

Liberdade é pra poucos. Liberdade é pra loucos

Se enchia de café, pois não tinha coragem para usar drogas pesadas.
Ficava agitado, eufórico, inquieto, hiperativo.
Falava, falava, falava sem parar, com medo de pensar; com medo de se tornar um daqueles introspectivos que admirava de um jeito mudo e da boca pra fora chamava-os de esquisitos.
Ia trabalhar, pois não sabia o que mais poderia fazer, às vezes tinha vontade de mandar o chefe à puta que pariu, folgar a gravata e ir beber cerveja deitado na grama do parque da cidade.
Mas o que pensariam dele? Jamais confessou essa vontade a ninguém.
Ao chegar em casa, ligava para a mãe e contava como foi seu dia com um falso entusiasmo; todos os seus dias eram iguais.
Ligava a tv e assistia aos noticiários, pelo menos por 10 minutos, depois mudava para o canal erótico.
Fazia algo que não cabe contar aqui e ia se deitar.
Todo o café consumido impedia-o de ter sono cedo, então na cama ele devaneava; pensava no próximo terno que compraria, no próxima celular, na próxima garota.
Estava sem tempo para garotas faz tempo...Ou pelo menos culpava o tempo.
Tempo, tempo, tempo. Depois de um tempo ele finalmente dormia.
Nessa noite, sonhou que pegava a estrada, na anterior, sonhou que andava de moto com uma jaqueta de couro e na antes dessa, Morpheu mostrou-lhe como seria velejar sozinho por ai.
Acordou julgando que necessitava comprar um carro, talvez uma moto ou um barco.
Encheu-se de café e foi trabalhar.
Liberdade é pra poucos loucos.