terça-feira, 30 de junho de 2009

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"...Mas explicar um inexplicável mal-estar que muda de aspecto como as nuvens e que se move em turbilhão como o vento? Faltavam-lhe palavras e coragem" 
Assim que li essa frase em Madame Bovary, anotei-a para poupar minhas palavras confusas e sem muito nexo sobre essa tal angustia. Flaubert me poupou o trabalho.
Eu corro bastante e acabo sempre voltando para o mesmo lugar patético, e o engraçado é que critico pessoas que correm para ele, mas indiretamente é isso que faço, ou melhor; minhas pernas traiçoeiras. Talvez seja culpa de quem me ensinou a andar. Talvez correr não seja a solução.

Te valorizo - Tiê

segunda-feira, 22 de junho de 2009

tudo que eu queria

Eu queria ler mais livros, ser mais sociável, estudar mais, falar outras línguas, ir a mais shows, fazer outros cursos, ser artista, viajar o mundo inteiro, dançar ballet, viver num lugar verde, bem verde. Queria não ter tantos medos, tantas frustrações ou arrependimentos, queria ter feito as coisas que eu queria e não que me pediram pra fazer, ser mais aventureira, queria falar mais o que eu penso, dar um soco na cara de alguém, especialmente do meu irmão. Queria perdão e ser perdoada, salvar o mundo, queria salvar alguém. Ser boa, me tornar boa, fazer algo bom. Ser magra, ser rica, ser hippie, ser livre. Queria que só existissem coisas boas, queria que as pessoas que eu amo ficassem bem e não morressem nunca, queria que elas me perdoassem pela minha chatice. Queria ser médica, geóloga, antropóloga, advogada, jornalista, professora de literatura. Queria rir mais, dizer mais ''eu te amo'' pros que eu amo, queria saber viver.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O cheiro é seu

- Aqui cheira a merda.
- É do ralo.
- Não. Não é não.
- Claro que é. O cheiro vem do ralo - Levanto e caminho até o banheirinho - Olha lá, o cheiro vem do ralinho.
Ele ri coçando a barba.
- Quem usa esse banheiro?
- Eu.
- Quem mais?
- Só eu.
- E então, de onde vem o cheiro?


Esse (ótimo) filme não é novidade para mim; já havia feito críticas mentais à respeito da sua mensagem principal, porém infelizmente estas foram esquecidas.
Então comecei a sentir um fedor. Tentei arranjar culpas e desculpas, até alguém me dar um soco no estômago dizendo "o cheiro é teu!". 
Minha primeira reação foi ficar enfurecida - ora, quem não ficaria? - Depois recorri a minha velha amiga auto-crítica que tinha saído para viajar há algum tempo. O resultado não foi outro: o cheiro É meu! 
Pensei em escrever a frase no passado, "o cheiro era meu", mas quem sabe isso seria somente outra forma de abaná-lo para longe; o que eu preciso mesmo é de um banho!
Enfim, deixando as analogias de lado, o fato é que as pessoas não conseguem aceitar que possuem coisas feias, seu lado monstro. Dói se enxergar de uma forma que você nunca havia (e nem queria) é bem chato saber que, no fundo, você tem algo que sempre criticou e é ainda mais triste pensar que esse tempo todo você só estava (se) escondendo dos outros e de si.
Mas nada melhor para mudar algo ou alguém do que uma reflexão, não uma simples, mas uma bem carregada de auto-crítica! 
Decidi que não quero feder. Possuir um lado monstro não quer dizer aceitá-lo e agora que o reconheci, tenho a capacidade de decidir mudar.
Mas lembrem-se do primeiro passo: O CHEIRO É SEU!

Não culpe a bebida, o stress, a morte da tia avó, não diga que foi forçado, que foi criado assim. 
O ralo é seu! E então de quem é o cheiro?

"La vida es dura!"

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Corre dor!

Corre a dor no hospital; doentes sujos, largados, morrendo
Correndo vem a família do paciente; tentou suicídio pela quarta vez
Atravessando a rua, a velha foi atropelada e de nada adiantou a maca do dotô
“Sua vez”, gritou a moça de branco com varizes verdes para o doente verde com dor de estomago
Um tombo rasgou-lhe a testa e foi direto pra sutura
Câncer? Vá morrer em casa. E Diabetes não tem cura
Gente pregando, gente pregada e haja gritaria
Outra grave: grávida pela décima vez! Haja gravidez!

No corredor do hospital a dor corre e o pobre, morre.

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Há tempos não me divertia escrevendo assim, mesmo sem padrão e pobremente.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sobre heróis, vilões e Homens

Sabe, nunca fui muito fã de heróis. Eles são tão entediantes, sempre com aquelas personalidades lineares e insossas. Para um herói é fácil ser bom, ele já nasce assim e não conhece outra forma de ser, é incapaz, na verdade. Não vejo nada de heróico nisso. Nós sabemos que ninguém é assim de fato, todo bom, então fica extremamente falso e irritante ver uma personagem assim no centro de uma história; alguém tão longe do que nós podemos ser. Paradoxalmente, ai consiste a graça dos heróis para alguns; eles representam uma espécie de modelo a ser seguido – mas já ouvi falar por ai que faz mal, muito mal esconder totalmente o seu lado monstro, acho que isso teria conseqüências desastrosas fora da tela, dos livros ou dos quadrinhos.

Então virei fã dos vilões, estes sim são interessantes, adoro personalidades obscuras e pessoas imprevisíveis. Eles nos fazem querer analisar o que os tornou assim, então são bem mais humanos que os heróis, pois são movidos por causas, como nós. Mas o mais divertido é que eles sempre têm um ponto fraco que mostra que não são completamente maus.

Cresci e conheci vilões que não moram em histórias e sim aqui na minha cidade. Uns freqüentam os mesmos bares que eu, outros tem o meu mesmo sobrenome e assim por diante. Analisei-os e comecei então a antipatizar com vilões também. O passado importa bastante, mas o sujeito é responsável por suas ações e escolhas, então, definitivamente parei de admirar quem havia escolhido simplesmente ser mau. Não digo que os odeio, mas se não o faço é somente pela existência daquele ponto fraco que me faz não esquecer do caráter humano; frágil e confuso deles.

Hoje em dia opto pelas personagens mais reais que são boas e más, felizes e tristes, às vezes até bobas e confusas, muito confusas. Personagens assim não nascem boas, elas optam por ser – tem coisa mais heróica que isso? Comecei então a adorar romances e filmes que falam, aparentemente, sobre nada, mas um nada tão cheio de espaço para análises e interpretações, tão parecido com a vida real que me encanta. Fugir da realidade pode ser divertido algumas vezes, mas não é tão útil quanto analisá-la.

Nós não precisamos ser bons ou maus, simplesmente. Não precisamos nos espelhar em coisas que jamais poderemos ser, isso só causa frustrações. Somos humanos e temos que começar a nos admirar só por este motivo; porque mesmo sendo criaturas instáveis e nada perfeitas, ainda assim conseguimos ser bons.

 

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Texto chato e irrelevante, eu sei, mas como não tenho escrito nada, posto esse “antigo”.