Crenças e descrenças à parte, vinha nascendo em mim um sentimento de revolta desde que adentrei no Lutas (projeto de extensão universitária que trabalha com minorias). Talvez não nascendo, mas se manifestando com mais força. Era hora de sair da teoria e passar para a prática. Cansada de observar, sem interferir, saí da zona de conforto. Por pouco não virei raiz; radis, radical. É tanta coisa errada acontecendo e tanta gente buscando soluções nos lugares errados.
Não sou ninguém para dar uma aula sobre dialética, mas combinemos o seguinte; a sociedade já se acostumou com os paradoxos. Estamos condicionados a aceitá-los. Abraçamos as conflitividades que surgem, de modo que tese e antítese nem buscam mais a síntese. Como quebrar a estrutura se nós polimos rachaduras?
Só vejo um jeito de mudar o sistema: reforço negativo. Mas não. Não sugiro que vocês deem uma de Tyler Durden e explodam prédios. Não joguem lama pra sujar, mas pra nutrir. E eis que volto à teoria do lençol branco; essas coisas vem se mostrando cada vez mais para mim e sem que eu peça. Seja em discussões recorrentes com professores, seja acidentalmente com os amigos em mesas de bar. Alguém me disse "terrorismo poético" e eu, mesmo ébria, captei aquelas duas palavras por achar que elas combinavam tão bem. Dei uma pesquisada et voilà! Era ali que as ondas misteriosas do universo estavam querendo me levar o tempo todo - Só que minhas motivações diferem, em partes, das de Hakim Bey (creio que a política DEVE ser abordada).
"A reação do público ou o choque-estético produzido pelo TP tem que ser uma emoção
pelo menos tão forte quanto o terror – profunda repugnância, tesão sexual, temor supersticioso, súbitas revelações intuitivas, angústia dadaísta – não importa se o TP é dirigido
a apenas uma pessoa ou várias pessoas, se é assinado ou anônimo: se não mudar a vida
de alguém (além da do artista), ele falhou."
Da arte vim e à arte voltarei. Jamais teria aberto a cabeça se não fosse por ela; não há melhor forma de transgressão, logo; não há melhor forma de fazer um estupro cefálico nos outros.
(Uma breve explicação: http://www.imagomundi.com.br/cultura/terrorismo_poetico.pdf)
Ps: A "arte" feita pela menina da imagem é um péssimo exemplo. Um smile e um coraçãozinho de cu são rolas, mas pelo menos tá chamando atenção pros dizeres: arte é a arma.
2 comentários:
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CARALHO !! Toda vez que entro aqui me sinto estuprada, mas é um estupro consentido. Quero vir, quero ler, quero e deixo que tuas palavras me toquem. Lorenna querida VOCÊ É FODA.
Sem mais.
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