Há uma semana atrás, mais ou menos, fui conhecer Maynooth. A cidadezinha e a faculdade que Bia estuda. Pela primeira vez pensei, "nossa, tenho que morar aqui". O campus mistura prédios modernos com uma igreja do século XVI (segundo Bia), tudo muito lindo. Vários cafés, pubs e restaurantes espalhados, muita gente lendo pelos cantos, pessoas de todos os estilos. Demos umas voltas e fomos recarregar as energias bebendo umas pints e drinks (odeio essa palavra). Como o pub é pra universitários, os preços são menores, então o resultado vocês imaginam...Chegamos em Dublin já a noite, cambaleando e ainda abrimos umas cervas (Leffe, a preferida do Nicu) enquanto arrumávamos a mala pra nossa viagem no dia seguinte.
No aeroporto, ríamos, conversávamos e brincávamos, então um senhor passou rindo pela gente e depois, curioso, veio perguntar: "pra onde vocês vão?", "bélgica", respondemos. "Bélgica? E estão animadas assim? Pensei que vocês iam pras Ilhas Canárias hahaha". Depois desse comentário e de várias outras coisas que li em minhas pesquisas, fiquei com medo da viagem ser uma azia. Bruxellas é classificada como "uma das cidades mais aziadas do mundo", "minúscula" e "passe só um dia lá". Eu sinceramente começo a desconfiar que essas pessoas nunca conheceram a cidade certa...Minha primeira impressão de Bruxellas foi: PUTAQUEPARIU, UAU! Mas antes de comentar melhor sobre isso, vou falar das primeiras aventuras...
Bia tem uma amiga maranhense, a Rafinha, que mora lá. Então deixei que Bia fizesse todo o trabalho de agendar albergue, pegar informações com a Rafa e essas coisas...Mas que erro! Chegando no aeroporto (que fica em outra cidade), perguntei pra Bia o que faríamos agora e ela não tinha idéia! Ok, achar trem pra Bruxellas não foi tão difícil, decidimos descer na estação Midi. De lá, pegamos o metro sem saber nosso destino, só queríamos chegar ao centro. Só que o metro virou um ônibus (?), nos perdemos lindamente (na verdade, nunca tínhamos nos achado), pegamos outro ônibus aleatório que deu prego e o motorista mandou todo mundo descer (viu? essas coisas também acontecem por aqui). Fomos andando aleatoriamente com as malas pela cidade, aí sim soltei meus PUTAQUEPARIU, UAU! Cada ângulo, uma coisa linda pra se ver. Arquitetura de todos os estilos; gótica, barroca, rococó, art nouveau...tudo misturado fazendo uma combinação perfeita! Mas voltando a aventura: Bia revelou que tinha feito a reserva pro dia errado do albergue. Estávamos sem destino. Encontramos a rafinha a noite e, por sorte, ela e o namorado deram conta dessa parte: fizeram reservas pra gente e ela até nos deixou lá pra não nos perdermos!
Os belgas são versões mais legais, extrovertidas e descoladas dos franceses. Na verdade, acho que eles só tem em comum a língua mesmo. Um problema: pouquíssimos falam inglês, então tive que arranhar meu francês esdrúxulo, mas deu certo e fomos salvas muitas vezes por conta dele hahaha. Uma curiosidade: a cidade parece ser toda fofa, no começo...mas depois você saca todos os problemas de cidade grande (sim, ao contrário do que falam, é grande); nos metrôs, as pessoas fumam xila e usam crack como se fosse legalize e lá tem a maior concentração de gente louca e bêbada que eu já vi! (e meus amigos, eu tô na Irlanda, então se tô dizendo isso é porque tem MUITOS). Gente passando pelos trilhos do metro, gente gritando pro nada, gente caindo de testa em escada...Uma loucura! Mas mesmo assim...me apaixonei pela Bélgica e quero voltar lá com certeza.
Outro fator negativo (ou positivo, dependendo do ponto de vista): lá é a terra das batatas fritas (não é FRENCH fries...os franceses roubaram, mas ainda assim, os belgas ainda tem a fama de fazer a melhor batata frita do mundo), dos chocolates e das cervejas...Então imaginem quantos quilos ganhei por lá...Poisé. A minha cerveja preferida foi, sem sobra de dúvidas, a Mort Subite de cereja...Oh, já sinto tanta saudade! O bom das cervejas de framboesa, maçã e dessas coisas, de lá, é que elas não são tão doces e não são nada enjoativas!
Quem disse que a cidade é parada e aziada, não tinha boas companhias ou não sabia onde ir. A segunda noite fomos ao Rox com a Rafa, o namorado dela e um amigo dele. Lá era bom pra sentar, tomar umas e conversar calmamente. Mas Bruxellas também pode ser bem agitada e eu recomendo fortemente o Delirium (bar com 2 MIL opções de cerveja) e o bar de absinto. Esse segundo foi o mais divertido, na minha opinião. Todos bêbados, encarando desafios, rindo um dos outros...muito bom! O menu era GIGANTE. E tinha doses de 4 euros até 100! Tinha uma mais temida por lá e ela vinha num pipe e, obviamente, tinha que queimar. Observamos homens de todas as nacionalidades e tamanhos saírem com lagrimas nos olhos ou tapando a boca pra vomitar, mas mesmo assim decidimos encarar. Eu fui a primeira e bebi LIKE A BOSS, Bia seguiu meu exemplo (só teve umas ondas de calor e se despiu quase toda). Resumindo: as brasileiras representaram MUITO! Hahaha.
Nesse dia, pegamos o metrô, mas quando fomos fazer a baldeação pra chegar a estação do albergue, os trens pararam. Segunda situação tensa quanto ao metrô por lá. Na primeira, uma brasileira evangélica me ouviu fazendo uma piadinha sobre jesus doidão chicotear o comércio que tinha na frente de uma igreja lá e veio puxar papo. Aproveitei a tentativa de evangelização e pedi orientações, mas ela me ensinou errado e nós não descemos na última parada: ficamos presas, sozinhas, num túnel escuro por uns 5 minutos (que passam como 5h para uma claustrofóbica). Enfim, voltando a história de ficar sem trem. Fomos correndo pra superfície (porque o metro tem a maior concentração de 'esquizofril' por metro quadrado), as ruas já estavam vazias, caminhamos no escuro, sem saber onde estávamos, fomos relaxadas por uns 10 taxis antes de um motorista resolver parar. Mal lembrávamos o endereço, mas deu tudo certo.
Infelizmente nesse dia aconteceu uma coisa no Brasil que me chateou bastantes e quase estragou toda minha viagem. Culpa minha, mas anyways, tenho o direito de ficar numa bad. E ficar numa bad em outro continente, sem poder te resolver, num quarto de albergue com um monte de espanhola mal educada falando alto pra caralho cedo da manhã, não é uma boa: só abri a porta e falei "será que dá pra falar MAIS BAIXO?", depois fiquei com medo de ser quebrada por umas 8 espanholas loucas, mas foda-se, bati a porta e pronto. Nesse dia tive que dividir o colchão com Bia porque deu uma birolha... por sinal, não recomendo o "Hello Hostel", é extremamente limpinho e arrumadinho, mas uma azia!
Pegamos um trem por 10 euros pra passar um dia em Burges. AMEI a cidade. Tenho uma mania autista de tirar as luvas pra tocar em tudo que é bem velho. Bia resolveu chamar isso de "sentir os prédios" e adotou a técna. Imaginem como fiquei numa cidadezinha medieval? Pareci uma louca "sentindo" todos os prédios e igrejas. Bia resolveu brincar de esquizofril e ficar xingando uma porta no meio da rua. Pelo menos ela descarregou a tensão e o mau humor (no começo ela não tava curtindo muito burges, digamos assim). Não entendo como alguém pode não curtir um lugar tããão medieval! Ah, e lá tem canais BEM MAIS BONITOS que os de Amsterdam! E, como em todos os outros dias da Bélgica, choveu. A chuva aqui é só um chuvisco bizarro que molha muito e é chato. Comprei uma capa de chuva ridiculamente cor de rosa e Bia fica me chamando de sorvetinho, mas depois quando eu tô sequinha e ela tossindo...rhum!
Enfim, minha dica pra Burges é: jogue o mapa fora e se perca na cidadezinha. Vai dar pra conhecer tudo e é bem mais legal e surpreendente.
Fast Foward pra Holanda:
Pegamos o trem pra Amsterdam. Primeiras impressões: é mais fria, é feia e bagunçada. Sério, fiquei incomodada com tantas bicicletas jogadas pelo chão e penduradas por aí...fora que tem muito lixo e muito turista no melhor estilo empolgadão. O albergue de lá, StayOk, era mais bagunçado, muito grande e também meio aziadinho, mas foi melhor que o outro. Quanto a cidade: realmente não sei o que pensar de mulheres parecendo carne em açougue, exibindo os corpos em vitrines. Nada contra prostituição. Pra quem não sabe, é legal também no Brasil, o que é proibido é tirar proveito da prostituição alheia (rufianismo e etc). Ok, elas tem mais proteção desse jeito...Por isso que falei "ainda não sei o que pensar". Mas a primeira vista, achei um pouco triste...Ainda bem que pra eles já é extremamente normal. A parada de drogas só me surpreendeu porque vi "vende-se coca, mdma, lsd, cogumelos e etc". Quanto a isso, eu boto fé. Sou muito a favor da legalização (assistam "Cortina de fuma" ou "quebrando tabus", eles falam por mim). Mas nem vi ninguém doidão pelas ruas, só chapados mesmo...(ao contrário de bruxellas hahaha). Quanto àquela lei que proíbe turistas de entrarem em coffee shops: pura lenda! Por isso, quem curte ficar chapeize, pode ir tranquilo.
O combinado era ter ficado 2 noites, mas no último dia langamos demais e acabamos perdendo o último ônibus de volta pra Bélgica. Tivemos que ficar num hotel "barato", mas muito bom. Finalmente relaxamos um pouco.
Fiquei triste por não ter ido ao Rijksmuseum e por não ter conhecido a condomerie world. Mas AMEI a heineken experience...é bem divertida e você ganha 3 pints grátis. Fora isso, me acabei de chorar na casa de Annie Frank. Chorei lendo o livro quando guria, então visitar a casa me emocionou muito e foi uma experiência única olhar até os tracinhos feitos pelo pai na parede pra medi-la. Quase encostei minha cabeça lá e fiquei chorando feito louca. (Por sinal, com 15 anos ela era uns 40cm maior que eu sou agora).
O ônibus de Amsterdam pra Bruxellas custa APENAS 10 euros e a viagem demora 4h. Nem sei falar da paisagem, porque dormi o caminho quase todo.
Paramos pra comer nossas últimas batatas, waffles e tomar nossas últimas cervejas, depois; aeroporto!
Chegamos na irlanda umas 22h e aconteceu uma parada MUITO CHATA! Conheci o primeiro Irlandês filho da puta e, pra compensar pela extrema simpatia dos irlandeses, ele conseguiu ser a pessoa MAIS BRUTA que já vi na vida! Era o cara da imigração e por segundos achei que ele fosse bater em Bia. Rolou uma coisa feia por lá, já tava desesperando. Ele escreveu na capa do passaporte de Bia e agora ela tá extremamente preocupada, a pior parte: tudo isso foi GRATUITAMENTE...Famoso PAU NO CU! Quando chegou minha vez eu tava tão assustada, tão espantada com a brutalizade, que acho que ele se tocou que se fosse muito bruto, eu ia abrir o bocão e começar a chorar por lá, por isso ele pegou um pouco mais leve e só me deu uma bronca porque eu tava sem minha passagem de volta pro Brasil. Mesmo assim, foi um BRUTO! Muuuuuito chato tudo isso. Odeio essa galera que abusa do poder e fica feliz em querer mostrar pros outros quem manda. Foda-se esse cara!
Chegamos e estamos felizes por poder descansar um pouco. Hoje vamos tirar o dia pra isso (e supermercado, só), porque estamos com uma cara tão cansada que parecemos uns 5 anos mais velhas e uns 80% mais junkies. Schega!
PS BIZARRICE:
Aconteceram umas paradas muito bizarras por lá. Huckabees explica. Encontramos uns caras do albergue de bruxellas no último dia de amsterdam e um pessoal do amsterdam enquanto bebíamos nossas últimas cervejinhas em bruxellas. Foi bem mais bizarro que parece, mas falar sobre ia demorar demais e tô cansada. Então, falow!
1 comentários:
"O metrô virou um ônibus" imaginei o metrô se transformando em ônibus na metade do caminho. hahaha
"Gente passando pelos trilhos do metro" SÉRIO? HAHUAUAUHA
"A minha cerveja preferida foi, sem sobra de dúvidas, a Mort Subite de cereja" oooohh, eu queria! =~
Queria te ver bebendo esse absinto like a boss tbm!
ô, que bonitinho esse detalhe do sorvetinho! '-'
eu chorei na sala de aula, no terceiro ano, quando terminei de ler annie frank... fiquei morrendivergonha, acho q choraria na casa tbm.
"mais junkies" pff hahaa
Massa essa parada huckabees.
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